Viabilidade Econômica - Guia de Gestão - Resultar Gestão

Viabilidade Econômica – Guia de Gestão

Viabilidade Econômica – Guia de Gestão

by resultar gestão janeiro 24, 2021

Introdução

O que é?

Dentro do ambiente de gestão, existem diversos caminhos a seguir para que o negócio melhore seus resultados. É possível comprar uma máquina nova para ampliar a produção, alugar ou construir uma nova loja ou até mesmo decidir sobre produzir e comercializar um novo produto. Optar pela realização de bons projetos de investimento pode ser o fator determinando para o sucesso do seu negócio e o estudo de Viabilidade Econômica é um alicerce para a tomada de decisão para esses investimentos.

Quais os benefícios?

Através de indicadores econômicos, o estudo de viabilidade permite realizar uma avaliação aprofundada acerca da viabilidade do projeto, de acordo com as projeções de demanda, impostos, custos, entre outros. Também permite demonstrar as vantagens e desvantagens de diferentes projetos através de termos monetários, para que possamos escolher quais os que promovem os melhores resultados.

Custo de Oportunidade!

A avaliação econômica se diferencia da avaliação financeira pois incorpora um dos elementos básicos da teoria econômica: O custo de oportunidade. A análise econômica incorpora nos seus indicadores a rentabilidade mínima para não investir em outros projetos, avaliando assim se economicamente o projeto é mais atrativo ou não.


Passo a Passo

Como fazer?

O primeiro passo para a análise de viabilidade é levantar as informações sobre o projeto. O quão melhor for a qualidade das informações utilizadas, melhor será o resultado da análise.

1. DEFINA O ESCOPO

Para definir o escopo, você deverá listar as entregas do projeto e todo o trabalho que seu projeto inclui. Com esta definição você conseguirá obter as demais informações necessárias para esta análise. Uma estrutura que facilita a visualização do escopo é a EAP (Estrutura Analítica do Projeto) que organiza uma hierarquia de etapas ou entregas e trabalhos a serem realizados.

2. ESTIME OS INVESTIMENTOS

Com a definição do escopo realizada, podemos definir o montante de recursos financeiros necessários para a estruturação do projeto através de estimativas do investimento. Para levantar os investimentos necessários para realizar o projeto, devemos separá-los em investimentos iniciais e adicionais. Os inicias são aqueles que precisam ser realizados no começo do projeto para que ele seja posto em prática. Já os adicionais são os que precisam acontecer ao longo do projeto. O levantamento dos investimento permite que você analise quais as opções que você tem para o investimento, seja capital próprio ou de terceiros.

3. DETALHAMENTO DE SEUS CUSTOS

Caso seu projeto pretenda realizar melhorias e isto implique em ganhos para seu negócio, você deverá dimensionar o quanto estas melhorias irão significar em termos monetários. Já para estimação das receita é necessário realizar uma análise e quantificação das entradas do seu projeto, consolidando assim uma previsão de vendas mensais em quantidade de produtos e ou serviços. Também deverá ser feita uma estimativa de preço médio a ser praticado. Um bom começo para realizar esta estimativa é analisar os preços dos concorrentes.

4. PREVISÃO DE GANHOS E RECEITAS

Caso seu projeto pretenda realizar melhorias e isto implique em ganhos para seu negócio, você deverá dimensionar o quanto estas melhorias irão significar em termos monetários. Já para estimação das receita é necessário realizar uma análise e quantificação das entradas do seu projeto, consolidando assim uma previsão de vendas mensais em quantidade de produtos e ou serviços. Também deverá ser feita uma estimativa de preço médio a ser praticado. Um bom começo para realizar esta estimativa é analisar os preços dos concorrentes.

5. ENTENDA OS IMPOSTOS

Deve-se levantar também os impostos que precisarão ser pagos sobre a receita e lucros. Para isto você pode realizar uma pesquisa na internet no site de órgãos de referência.

6. DEFINIÇÃO DA TMA (TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE)

Considerar o valor do dinheiro ao longo do tempo influencia diretamente a qualidade da avaliação.

Para que possamos fazer isso, temos que estabelecer o que se chama de Taxa Mínima de Atratividade. Essa taxa irá expressar a rentabilidade mínima que se espera para o projeto, é o mínimo de rentabilidade que faz o projeto valer a pena do ponto de vista econômico.  Três componentes formam a TMA:

Para entender!
O custo de capital considera o custo do dinheiro que financiará o projeto, que pode ser dividido entre capital próprio e de terceiros, ou uma composição dos dois, ele influenciará diretamente a viabilidade do projeto. A taxa do custo de capital do projeto pode ser obtida através da fórmula conhecida como “Custo Médio Ponderado De Capital” ou WACC, em inglês.

7. FLUXOS DE CAIXA E INDICADORES DE VIABILIDADE

A partir de todas as informações coletadas nas etapas anteriores, podemos então desenvolver o estudo de viabilidade do projeto. Toda a análise da viabilidade do projeto é feita a partir dos fluxos de caixa. O fluxo de caixa demonstra período a período os resultados das entradas e saídas e também o fluxo dos investimentos do projeto e é a base para calcular três indicadores, o VPL, a TIR e o Payback.

Neste ponto temos a importância do nível de detalhamento dos dados e estimativas, pois a partir deles teremos uma visão sobre o investimento. Um fluxo de receita ou despesas mal estimado pode comprometer os indicadores de viabilidade, então é importante termos o máximo detalhamento dos dados. O horizonte de tempo de estimação dos valores do fluxo de caixa também é importante, pois o quão maior forem os períodos maior poderá ser o nível de incerteza sobre as estimações.

O fluxo de caixa livre é utilizado para o cálculo dos indicadores de viabilidade e é corresponde ao saldo resultante de investimentos, receitas e despesas. Ao longo do tempo a inflação afeta tanto os valores de investimentos e receitas quanto as despesas, por isso é importante incorporá-la ao cálculo da viabilidade para chegarmos a um resultado realista.

Valor Presente Líquido (VPL):O método do Valor Presente Líquido, o VPL, nos mostra qual o retorno do projeto acima da taxa mínima de atratividade e em valores monetários de hoje. Ele traz os fluxos de caixa futuros para o presente para podermos avaliar a rentabilidade tendo o valor do dinheiro hoje em mente. Um valor de VPL positivo significa que o projeto é rentável acima da taxa mínima de atratividade.

Taxa Interna de Retorno (TIR):  O método da Taxa Interna de Retorno, a TIR, calcula a taxa para qual o VPL do projeto é igual a zero. Esse indicador deve ser utilizado como um auxiliar ao VPL e em comparação com a TMA. Um valor de TIR acima do valor da TMA significa que o projeto é rentável acima da taxa mínima desejada.

Payback:  O método do Payback nos mostra em quanto tempo o investimento inicial do projeto será recuperado. Pode ser calculado de forma simples ou descontada. A forma descontada considera o valor do dinheiro no tempo, ao contrário da simples. Como vimos anteriormente, não considerar as variações que o dinheiro sofre com o tempo pode comprometer o estudo de viabilidade. O Payback é um indicador importante para que se avalie a possibilidade de ficar um determinado tempo sem o valor do investimento em caixa.

Para entender!Para entender o valor do dinheiro em função do tempo, vamos analisar um exemplo de investimento de R$ 1.000,00 remunerado a uma taxa anual de 10%. Ele resultará em um valor futuro de R$ 2.593,74 após 10 anos. Por outro lado, uma inflação de 6,5% ao ano reduzirá o poder de compra de R$ 1.000,00 para R$ 510,64 após 10 anos.

8. CRIAÇÃO DE CENÁRIOS E ANÁLISE DE SENSIBILIDADE

Antes de realizarmos um projeto não podemos ter certeza sobre como será a sua execução, dessa forma existe incerteza quanto aos resultados. A análise de cenários nos ajuda a entender melhor o comportamento do projeto em diferentes condições. Criamos o cenário provável, otimista e pessimista, alterando as receitas, investimentos e custos e analisando o resultado do projeto em cada cenário. A análise de cenários responde perguntas do tipo: Caso as vendas do projeto caiam 50%, ele ainda será rentável?

De forma complementar a análise de cenários, a análise de sensibilidade nos ajuda a entender quais as variáveis mais críticas do projeto para que ele se mantenha rentável. Diferentes projetos podem sofrer variações em seu VPL de diferentes formas, conforme os investimentos, as receitas e os custos variam. Por exemplo, em um projeto onde a variável mais sensível para o VPL sejam as receitas, é preciso focar esforços para garantir que a quantidade de vendas planejada seja concretizada.  

A análise econômica deve se inserir em um contexto amplo, onde a tomada de decisão final sobre realizar o projeto de investimento ou não também considera fatores de natureza social, econômica, política, entre outras, que podem influenciar o projeto.

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